Lenna Bahule volta a Moçambique entre “Memórias Daqui”, novo disco e uma digressão europeia

August 27, 2026
Lenna Bahule Moçambique concerto Memórias Daqui
©inspiracaoseis

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Há 14 anos que Lenna Bahule vive num movimento constante entre Moçambique e o Brasil. Foi no Brasil que construiu uma parte importante da carreira e para onde voltou recentemente a residir, mas Moçambique continua no centro da música, das pesquisas e do trabalho que desenvolve enquanto arte-educadora. É entre esses dois lugares que a artista atravessa agora uma nova fase, com um disco em preparação, uma canção na banda sonora de uma novela da Globo e uma nova digressão europeia pela frente.


Antes da Europa, Lenna regressou à sua terra natal com “Memórias Daqui”, uma mini digressão que passou por Pemba, capital da província de Cabo Delgado, e chega agora a Maputo. Esta sexta-feira, 28 de agosto, apresenta “Memórias e Som” no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), num concerto que leva ao palco parte das pesquisas que têm ocupado o seu processo criativo.


Em Pemba, o trabalho aconteceu longe do formato habitual de um concerto. Lenna esteve com crianças de famílias deslocadas e recorreu à música tradicional e a referências culturais locais para criar formas de expressão, reforçar a autoestima e aproximá-las da própria cultura.


A experiência cruza duas dimensões que há muito convivem no seu percurso: a criação artística e a educação. Quando falou com a BANTUMEN em 2024, artista dizia que a sua música era também o seu ativismo e defendia a arte como uma ferramenta capaz de entreter, mas também de educar, inspirar e criar transformação.


Em Maputo, o reencontro ganha outra forma. Depois de sucessivas idas e vindas entre Moçambique e o Brasil, Lenna encara o concerto sobretudo como uma oportunidade de voltar a estar próxima do público e das pessoas que fazem parte da sua história. “Este concerto é para estar próxima das pessoas que gosto, do meu trabalho e partilhar a bonança que a música propõe”, explica à BANTUMEN.


A passagem pelo país coincide com um novo processo criativo, a cantora preparava Kumlango, projeto que chegou ao formato de álbum em 2025. Agora, já trabalha num novo disco, selecionado através de um edital no Brasil, enquanto aprofunda uma pesquisa centrada sobretudo nas culturas do leste de África. “Estou num processo criativo. Vou partilhar esta visão com o meu público moçambicano”, adianta.


Esse novo trabalho sucede a Kumlango, álbum lançado em 2025 e onde Lenna incluiu uma nova interpretação de “Hoya Hoya”, composição de Mingas, uma das vozes históricas da música moçambicana e nome ligado à marrabenta. Em 2026, essa versão ganhou uma nova circulação ao entrar na banda sonora de “A Nobreza do Amor”, novela da TV Globo.


Para Lenna, chegar a uma produção com a dimensão da Globo tem um peso particular porque o reconhecimento acontece num mercado onde construir espaço com a sua proposta musical nem sempre foi simples. “É ótimo ter a canção ‘Hoya Hoya’ como trilha sonora da novela brasileira. Simboliza o reconhecimento do meu trabalho e da trajetória que tenho estado a fazer”, afirma.


A artista não procura, no entanto, transformar a sua música para encaixar no mercado brasileiro. O que lhe interessa são precisamente os pontos de contacto que encontrou durante os anos vividos no país. “O mercado brasileiro não é fácil. É muito difícil de entrar, principalmente com um trabalho como o meu, que não é focado na música brasileira, apesar de interagir com ela, deixar-se influenciar e encontrar entrelaços e pontos entre as culturas afro-brasileiras e as africanas”, explica. É a partir desses encontros que pretende continuar a procurar histórias que, como diz, “estão, na verdade, escondidas”.


Depois de Moçambique, o próximo movimento volta a ser internacional. A partir de setembro, Lenna segue para uma digressão europeia, com passagens previstas por Portugal, Luxemburgo, Itália e Alemanha, entre festivais e salas de espetáculo. “Espero que o pessoal na Europa venha assistir à turnê, que tem tudo para ser bonita. Estou muito empolgada, a programação está muito boa”, diz.

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