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Gil Semedo regressa ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no próximo dia 11 de setembro, desta vez com um propósito que ultrapassa a simples revisitação dos êxitos de uma carreira que começou no início dos anos 1990. Em “Caboswing – Novo & Velho Tour”, o ícone cabo-verdiano propõe colocar diferentes momentos da sua história artística a conversar entre si e, pelo caminho, discutir através da música o que permanece e o que mudou no Caboswing.
O concerto começa às 21h30, com abertura de portas marcada para as 20h30 e terá sete convidados especiais. Quando o espetáculo foi inicialmente anunciado, os nomes ainda estavam por revelar. Entretanto, Gil Semedo começou a apresentar os participantes através das suas redes sociais.
A primeira confirmação teve um significado particularmente familiar: Melodia, filha do músico. Seguiram-se Mika Mendes, Tó Semedo e Loony Johnson, colocando desde já no mesmo alinhamento diferentes ligações pessoais, gerações e percursos dentro da música cabo-verdiana e da diáspora.
A escolha de Melodia não surge isolada. A cantora também participa em Caboswing: O Novo Capítulo, álbum que Gil Semedo lançou a 29 de maio e no qual aparecem ainda Dino d’Santiago, DJ Nays e Tó Semedo. O projeto foi apresentado como uma continuação do universo musical que o artista começou a construir há mais de três décadas, mas pensado a partir das linguagens e colaborações atuais.
É precisamente essa tensão entre arquivo e continuidade que dá sentido ao título “Novo & Velho”.
Gil Semedo começou a editar música em 1991 e tornou-se uma das figuras centrais da pop cabo-verdiana. Nascido na ilha de Santiago e radicado desde criança nos Países Baixos, cresceu musicalmente entre referências como Michael Jackson, sonoridades afro-caribenhas e géneros cabo-verdianos. Dessa combinação nasceu aquilo a que chamou Caboswing, uma linguagem que aproximou elementos da música de Cabo Verde da pop, do zouk e do R&B.
Canções como “Sweet Honey”, “Maria Julia” e “Nos Líder” ajudaram a transformar essa proposta numa das assinaturas reconhecíveis da música cabo-verdiana das décadas de 1990 e 2000. A dimensão do impacto também fez com que Gil Semedo passasse a ser frequentemente apresentado como o “Rei do Pop de Cabo Verde”.
Quando a BANTUMEN conversou com o músico em 2022, durante a celebração dos 30 anos de carreira, Semedo já colocava a transmissão entre gerações no centro do discurso. Na altura, dizia sentir-se particularmente satisfeito por perceber que músicos mais jovens encontravam referências no seu trabalho. Essa aproximação já estava visível em “Gostu Sabi”, colaboração com Calema, Soraia Ramos e Mito Kaskas.
Quatro anos depois, “Caboswing – Novo & Velho Tour” parece desenvolver essa ideia num formato maior.
Em março de 2023, o músico levou à mesma sala lisboeta a celebração dos seus 30 anos de carreira, num concerto que contou com convidados como Nelson Freitas e Calema.
O regresso em 2026 acontece, portanto, num contexto diferente. Já não se trata apenas de assinalar uma data redonda, mas de tentar posicionar o Caboswing como uma linguagem que pode sobreviver ao período histórico em que nasceu.
A produção promete ainda uma componente visual que recorrerá a tecnologia e inteligência artificial para construir flashbacks e projeções de futuro ao longo do espetáculo, segundo a descrição oficial do Coliseu. Música, dança e imagem deverão funcionar como elementos de uma narrativa sobre a evolução artística de Gil Semedo.
Há aqui também uma dimensão maior do que a carreira individual do músico. A música cabo-verdiana contemporânea circula hoje por geografias, públicos e plataformas muito diferentes daqueles que existiam quando Semedo lançou Menina, em 1991. Artistas de diferentes gerações construíram novas pontes entre Cabo Verde, Lisboa, Paris, Roterdão e outros territórios da diáspora.
É neste contexto que um concerto baseado na ideia de “novo” e “velho” ganha outra leitura.
Aos quase 35 anos de percurso, Gil Semedo não parece interessado apenas em preservar o Caboswing como memória. O desafio colocado no Coliseu será mostrar se uma linguagem musical criada por uma geração pode continuar a transformar-se nas mãos das seguintes.
“Caboswing - Novo & Velho Tour” acontece a 11 de setembro, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Os bilhetes estão disponíveis através dos canais oficiais, com preços entre os 40 e os 50 euros.
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