“Valeu a pena”, Lúcia Brito acredita que o legado do Human Leaders começa agora

July 29, 2026
lucia-brito-legado-human-leaders-international-congress-cabo-verde
Lúcia de Brito no Human Leaders Cabo Verde 2026 | ©BANTUMEN/Nuno Silva

Partilhar

A primeira edição do Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026 (HLICCV2026) encerrou a 25 de julho, no Campus da Universidade de Cabo Verde, na cidade da Praia, depois de dois dias dedicados à liderança estratégica, à neurociência aplicada à gestão, à educação parental e à inteligência emocional como eixos de trabalho e de decisão organizacional. O congresso, organizado pela DILUB Corporate Services e presidido por Lúcia Brito, reuniu cerca de sessenta oradores de três continentes em torno do tema "Cabo Verde 2026: Capital Humano como Ponte para Oportunidades", mote que a organização já tinha levado ao Presidente da República, José Maria Neves, numa audiência realizada meses antes do evento.


Numa entrevista anterior concedida à BANTUMEN, Lúcia Brito definira o princípio que viria a atravessar esta primeira edição: "Não precisamos de líderes mais rápidos. Precisamos de líderes mais conscientes." É a essa conversa que a BANTUMEN regressa agora, dias depois de o congresso ter fechado portas, para pedir a Brito um balanço a frio, ou tão a frio quanto o permite o cansaço de dois dias de imersão. É a partir desse mesmo princípio que a presidente do congresso faz a leitura dos dois dias de trabalhos, ainda sob o efeito da despedida que a equipa organizadora lhe reservou no encerramento.


Sobre os dois anos de preparação que antecederam o evento, Brito recorre a uma única palavra: "Eu posso dizer, numa única palavra, que esses dois anos de trabalho resultaram em algo extraordinário." E atribui essa avaliação não à organização, mas aos participantes: "E não sou eu, enquanto organização, a dizer. São as pessoas, são os feedbacks que nós temos recebido." O sentimento que descreve, decorridos os desafios de dois anos de trabalho, é o de "gratidão" e de "dever cumprido" por um conjunto que resume em três palavras - conhecimento, sinergias, trocas. Ao encerramento chegou associada uma dimensão que a presidente não separa do balanço profissional: houve, nas suas palavras, "muita emoção", motivada por uma surpresa que a equipa lhe reservou e que a levou às lágrimas - "Eu chorei, faz parte também." É nesse registo que resume o estado em que termina esta primeira edição: feliz, realizada, com a confirmação de que os dois anos de esforço e os desafios que atravessaram "valeram a pena".

lucia-brito-legado-human-leaders-international-congress-cabo-verde

©BANTUMEN/Nuno Silva

O maior obstáculo, segundo Brito, não esteve na produção do congresso em si, mas na convicção de que era preciso instalar nas empresas cabo-verdianas: a de que um espaço de reflexão e partilha de conhecimento tem tanto valor para os seus colaboradores como qualquer outro investimento corporativo. "Olharem para estes eventos igualmente como um espaço de trabalho, um espaço de partilha, um espaço de conhecimento, um espaço que agrega valor às suas dinâmicas", descreve. A esse desafio somaram-se fatores externos que, na leitura da presidente, condicionaram o engajamento de algumas organizações - o Mundial, o calendário eleitoral, processos de transição institucional. Foi por isso que a organização optou por não posicionar o congresso como patrocínio, mas como investimento direto no capital humano das empresas participantes: "Engajem o vosso capital humano nestes dois dias de imersão." Para Brito, esse investimento tem um retorno concreto: "O networking, bem feito, é poder e traz essa mais-valia para o nosso campo, para a nossa esfera profissional, mas também social e familiar." É nesse valor - que descreve como já entregue, a julgar pelos feedbacks recebidos - que a organização diz sustentar a sua satisfação com o resultado.


A dimensão internacional do congresso - os cerca de 60 oradores oriundos de três continentes, aos quais soma "mais de 19 países" representados ao longo dos painéis - cumpriu, na sua leitura, o objetivo de transferência de conhecimento entre profissionais cabo-verdianos e convidados estrangeiros. A presidente corrige, no entanto, o tempo verbal com que descreve esse objetivo: "Conseguimos, não: é um processo. Vamos continuar." A troca prolonga-se agora numa plataforma digital criada pela organização, pensada para manter as ligações estabelecidas durante o congresso e para sustentar, no tempo, a partilha de boas práticas entre os participantes. À diversidade de origens que o congresso reuniu, Brito atribui diretamente o valor acrescentado que sai de cada edição: "Todas as experiências e boas práticas que levam, tudo isso enriquece as nossas culturas. E isso, para mim, é a diversidade."


Questionada sobre uma segunda edição, admite que a decisão não era certa há poucas semanas: "Se me perguntasses isso há duas ou três semanas, eu ia dizer: 'Não, nem pensar.'" A mudança de posição atribui-a à parceira Graça, com quem viria a decidir avançar. A metáfora que escolhe para descrever o processo é a de uma construção: "A estrada que nós fazemos são pedras com as quais vamos construindo o castelo. Ou já temos o castelo construído e vamos agora refiná-lo." A manutenção, precisa, será feita já a pensar na próxima edição, que se mantém em Cabo Verde. A organização quer consolidar pelo menos mais duas edições no arquipélago antes de levar o congresso a outros mercados, com parcerias e interessados internacionais já identificados para essa fase seguinte. "Ainda há muitas coisas para serem alinhadas, mas, como tudo na vida, é uma construção. O processo é um processo", resume Brito, que reconhece haver "vários ajustes a fazer" até essa consolidação ser alcançada com a qualidade que a organização exige de si própria - ajustes que pretende extrair da experiência desta primeira edição para entregar, na segunda, um congresso "ainda mais rico".


O congresso já tinha sido apresentado como projeto de continuidade e não como evento isolado: além da periodicidade bianual, integra um podcast dedicado a histórias de liderança, uma plataforma digital de partilha de conteúdos, os Human Leaders Awards e iniciativas voltadas para a diáspora cabo-verdiana, incluindo um espaço dedicado aos cabo-verdianos residentes no estrangeiro. É nesse quadro mais amplo - de que a primeira edição em Cabo Verde é apenas o ponto de partida - que Lúcia Brito situa o trabalho que falta fazer.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.

bantumen.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile