Manjuco Vié, Cabo Verde e a oferta de bonés que levou a FCF a reagir

June 8, 2026
Manjuco Vié oferta de bonés Cabo Verde
© Roberto Pires Correia

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A presença de Manjuco Dabó, conhecido publicamente como Manjuco Vié, junto de jogadores africanos voltou a ganhar atenção nas redes sociais depois de o empresário e criativo da marca Manjuco Vié Couture entregar bonés personalizados a jogadores da seleção cabo-verdiana de futebol.


A oferta aconteceu no contexto da preparação de Cabo Verde para o Mundial 2026, depois da vitória dos Tubarões Azuis frente à Sérvia por 3-0, num jogo particular disputado no Estádio do Restelo, em Lisboa, a 31 de maio. A partida integrou a preparação da seleção cabo-verdiana para a sua primeira presença num Campeonato do Mundo, onde integrará o Grupo H, com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita.


As imagens dos jogadores com os bonés personalizados circularam nas redes sociais e deram origem a uma reação pública da Federação Cabo-verdiana de Futebol. Num comunicado divulgado nas suas plataformas, a FCF afirmou ter tomado conhecimento de que marcas estariam a usar "o bom nome" da instituição e da Seleção Nacional para se autopromoverem como parceiras, o que, segundo a federação, "não corresponde à verdade". No mesmo comunicado, a FCF declarou que "não é parceira e nem é patrocinada pela marca de vestuário Manjuco Vie" e apelou a marcas nacionais e internacionais para evitarem usar o nome da instituição, da Seleção Nacional e os respetivos símbolos, de forma a prevenir eventuais processos judiciais.


Manjuco respondeu também através das redes sociais. Na sua nota, afirmou que nem ele, nem a Manjuco Vié Couture, nem a Steasy Store disseram ter uma parceria oficial com a Federação Cabo-verdiana de Futebol. Segundo o empresário, os bonés foram personalizados com os nomes dos jogadores e não produzidos em nome da federação, e a entrega foi "um gesto de apoio e reconhecimento aos atletas", motivado por relações pessoais com alguns jogadores e pelo seu interesse pelo futebol. Manjuco defendeu ainda que a iniciativa não foi acompanhada de qualquer declaração que sugerisse um vínculo oficial com a FCF.


Em declarações à BANTUMEN, o empresário foi mais direto sobre o que, na sua perspetiva, distingue este gesto de uma parceria institucional. "A minha ligação humana não é institucional. A instituição vem depois da relação humana", afirmou, reconhecendo que a qualificação histórica de Cabo Verde para o Mundial amplificou a visibilidade do momento, mas sustentando que a iniciativa não foi diferente de outras que já fez no passado junto de atletas e seleções africanas.


Manjuco Vié é um empreendedor guineense, de origem senegalesa, que imigrou ainda criança para Portugal e cresceu no Bairro 6 de Maio, na Amadora. Nomeado em 2024 uma das pessoas mais influentes na Lusofonia pela POWERLIST 100 da BANTUMEN, é fundador e diretor criativo da Steasy, marca com loja física em Agualva-Cacém, na linha de Sintra.


A marca tem vestido artistas como Fally Ipupa, Dadju, NGA, Prodígio, Tayc, Deezy, Vado Más Ki Ás e Flavnais, além de futebolistas como Nelson Semedo, Rúben Semedo, Rafael Leão, Ronaldinho Gaúcho, Sadio Mané, Jay Jay Okocha, Patrick Mboma e El Hadj Diouf.


Nas suas redes sociais, é possível encontrar um historial de iniciativas semelhantes junto de jogadores e seleções africanas, incluindo em contexto de CAN, com ações associadas a atletas de países como Angola, Senegal, Camarões, Nigéria, Moçambique e Cabo Verde. Uma publicação de janeiro de 2024 documenta o apoio da Steasy Store à seleção da Guiné-Bissau na competição.


A repercussão do episódio foi amplificada pelo momento histórico da seleção. A vitória sobre a Sérvia foi noticiada como parte da preparação dos Tubarões Azuis antes da viagem para os Estados Unidos, e a qualificação para o Mundial - a primeira de sempre - tornou qualquer movimento em torno da seleção inevitavelmente mais visível. Até ao momento, a FCF mantém a posição de que não existe parceria ou patrocínio com a marca Manjuco Vié. Manjuco, por sua vez, sustenta que a entrega foi feita diretamente aos jogadores, sem reivindicação de vínculo oficial com a federação.

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