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A artista brasileira NandaTsunami prepara-se para anunciar, esta quarta-feira, 6 de maio, a sua primeira tour europeia. A digressão, produzida pela Lança Production, marca a estreia da artista em palcos europeus e terá Portugal como ponto de partida, antes de seguir por outros países do continente.
A tour arranca no Porto, a 26 de junho, na Pérola Negra, segue para Lisboa, a 27 de junho, na Casa Capitão, e passa por Faro, a 28 de junho, no Arthaus. Depois da passagem por Portugal, a artista tem prevista uma circulação por outros países europeus, incluindo Reino Unido, Espanha, França, Irlanda e Alemanha.
Nascida e criada em São Paulo, NandaTsunami tem vindo a afirmar-se como uma das vozes emergentes da nova cena brasileira, cruzando funk paulista, trap e uma escrita direta, marcada por tensão, desejo, rua e identidade. Com temas como “P.I.T.T.Y.”, “Pisca Duas Vezes”, “Segredo e Feitiço” e “Pq Vc Não Me Liga”, a artista construiu uma base de ouvintes expressiva nas plataformas digitais e começa agora a testar essa ligação no espaço físico dos palcos europeus.
Para Bruna de Souza, fundadora da Lança Production, esta tour parte precisamente da vontade de romper com uma circulação demasiado previsível da música brasileira na Europa.
“Existe já um circuito muito consolidado de artistas brasileiros na Europa, mas também bastante previsível. A mesma curadoria, os mesmos nomes, um lugar confortável que funciona, mas que pouco arrisca. Enquanto o Brasil produz diariamente uma geração enorme de artistas com linguagem, qualidade e prontidão para circular, essa nova vaga ainda chega pouco aos palcos europeus”, afirma.
É nesse intervalo, entre o que já tem público e o que ainda não encontrou estrutura, que a Lança Production posiciona esta aposta. Mais do que trazer uma artista brasileira para uma sequência de concertos, a proposta passa por criar uma rota possível para nomes que já têm identidade, comunidade digital e força estética, mas que ainda não foram organizados para circular fora do Brasil.
NandaTsunami | ©Guibson
“O que diferencia esta aposta é precisamente isso: sair do óbvio. Não estamos interessadas em repetir uma ideia já validada, queremos novas rotas. Existe um público, existe identificação, existe desejo. Falta estrutura”, acrescenta Bruna.
A primeira tour europeia de NandaTsunami surge, por isso, como mais do que um marco individual na carreira da artista. Para a Lança Production, é também uma espécie de laboratório sobre a forma como a nova música brasileira pode ocupar espaço no mercado europeu sem depender apenas dos nomes já estabelecidos ou de uma lógica de exportação mais institucional.
“Esta tour representa, acima de tudo, uma prova de conceito. Somos uma estrutura independente, com pouquíssimo tempo no mercado, e esta circulação mostra que é possível construir uma presença internacional com organização, critério e leitura de mercado, mesmo sem uma base financeira tradicional”, explica a fundadora da produtora.
O desafio, no entanto, não está apenas em marcar datas. Está em perceber se o entusiasmo que nasce nas plataformas, nos vídeos curtos e nas playlists consegue converter-se em bilheteira, presença e continuidade. Bruna reconhece esse ponto como uma das questões centrais da internacionalização de artistas emergentes.
“Ainda existe um gap grande entre o hype digital e a conversão real em bilheteira fora do Brasil. Internacionalizar não é só circular, é conseguir sustentar presença, construir público e fazer com que aquilo que acontece online se traduza em sala cheia.”
No caso de NandaTsunami, essa travessia parece fazer sentido precisamente pela forma como a sua música comunica antes mesmo de ser completamente decifrada. Há corpo, ritmo e atitude na sua proposta artística, elementos que podem abrir caminho junto de públicos que talvez cheguem primeiro pela energia e só depois pela letra.
Bruna resume essa ideia numa frase simples: “Costumo brincar e dizer que a Europa dança antes de entender a letra.”
A tour europeia de NandaTsunami começa, assim, como um ensaio de futuro. Para a artista, é a primeira oportunidade de medir a sua força ao vivo fora do Brasil. Para a Lança Production, é a afirmação de uma visão: trabalhar artistas com linguagem própria, tração e identidade, mas que ainda não encontraram a estrutura certa para atravessar o Atlântico.
“A visão é clara: trabalhar artistas que já têm linguagem, identidade e tração, mas que ainda não foram organizados para fora. Não me interessa exportar tendência, interessa-me construir e somar num percurso duradouro. No caso da Nanda, existe força estética, narrativa e conexão com o público. O meu papel é traduzir isso para o contexto europeu”, conclui Bruna.
Entre São Paulo e a Europa, NandaTsunami abre agora uma nova rota. E, se a bilheteira confirmar o que os números digitais já sugerem, esta primeira tour pode ser menos uma estreia isolada e mais o início de uma circulação mais ampla para uma geração brasileira que ainda não teve o espaço que merece nos palcos europeus.
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