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A Apple Music anunciou a edição de 2026 da iniciativa Sounds of Africa, dedicada ao Africa Month, com Luanda a surgir pela primeira vez como cidade em destaque. A iniciativa, que nas edições anteriores colocou em evidência Lagos, Acra, Joanesburgo, Nairóbi e Dar es Salaam, alarga agora o mapa a seis novas capitais culturais: Luanda, Durban, Harare, Abidjan, Kinshasa e Dakar. O formato mantém-se - playlists curadas por artistas e tastemakers locais, juntando clássicos do catálogo a lançamentos recentes - e estreia uma nova série de DJ mixes exclusivos concebidos para aprofundar a imersão sonora em cada cidade.
Para Luanda, a curadoria da playlist foi entregue a Teo No Beat, Anna Joyce e Prodígio, três nomes que representam gerações e sensibilidades distintas do ecossistema musical angolano. O DJ mix ficou a cargo de DJ Malvado, figura central da música eletrónica angolana, e reúne faixas de AfroKillerz, Djeff, DJ Waldo e do próprio Teo No Beat.
A presença de Luanda nesta edição assenta no peso global dos géneros que a cidade produziu: o semba influenciou estilos como o samba brasileiro, enquanto a kizomba, o kuduro e a tarraxinha continuam a atravessar fronteiras e a moldar a cultura de dança internacional. São géneros com origens, velocidades e públicos diferentes, mas todos com raízes em Angola, e todos com presença ativa nas pistas de dança europeias, americanas e africanas da atualidade.
Carlos Gonçalves, especialista em música lusófona que contribui para o enquadramento editorial da iniciativa, descreve a cidade como "uma capital onde a música, a cultura e a identidade se movem juntas em ritmo", acrescentando que "das suas ruas, gerações de artistas moldaram sons que viajam muito além de Angola."
Os três curadores da playlist traduzem essa mesma ideia a partir de perspetivas diferentes. Teo No Beat situa o trabalho num plano autobiográfico ao afirmar que "Luanda é mais do que uma cidade para mim - é a minha escola, o meu palco e a minha fonte de inspiração. Estas músicas representam as nossas ruas, as nossas lutas, as nossas celebrações, as nossas histórias de amor e os nossos sonhos… esta playlist conta a história de quem somos e para onde vamos." Prodígio desloca o foco para a dimensão coletiva e assume que "o semba e a kizomba estabelecem um ritmo que culturas de todo o mundo ainda tentam acompanhar. Luanda é música mesmo quando o silêncio toma conta ao amanhecer. Na capital da alegria, onde a música é a banda sonora tanto da felicidade como da tristeza, ninguém se limita a consumir arte - toda a gente a cria." Anna Joyce aproxima-se da cidade pelos sentidos mais imediatos e fala de uma cidade que "cheira a celebração - a kissangua [bebida tradicional angolana feita à base de milho ou ananás] e a terra molhada. O seu som é batuque e dikanza. Luanda é energia e esperança. Luanda é velha e jovem."
DJ Malvado, cujo nome real é Cláudio Rodrigues, nasceu em Luanda em 1975 e construiu uma carreira de três décadas. Ao longo desse percurso, percorreu géneros como kizomba, semba, afro house e kuduro, produzindo álbuns de colaboração que funcionam como mapas da cena musical angolana em cada momento. O mix que apresenta nesta edição dos Sounds of Africa é uma leitura da pista de dança luandense - contínua, física, próxima da experiência de uma noite na cidade.
As restantes cidades desta edição têm as suas próprias coordenadas. Em Durban, o gqom e o amapiano dominam, com DJ Tira a assinar curadoria e mix. Em Harare, a música move-se entre o sungura, o Zimdancehall e o afro-jazz, com Shungudzo, Bantu e Mutsai Musa como curadores e o produtor Dr. Chaii, nomeado para os Grammy, a assinar o mix. Em Abidjan, Didi B e Alpha Blondy integram uma seleção centrada na inovação da África Ocidental, com DJ Jeune Lio no mix. Em Kinshasa, Fally Ipupa e Innoss'B representam a continuidade da herança da rumba e do ndombolo, com mix de Rara Lii. Em Dakar, Baaba Maal e Samba Peuzzi ancoram uma leitura que combina arquivo e contemporaneidade, com Tysha Cee no mix.
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