Filme sobre Nha Balila, a lenda que canta batuku há oito décadas, chega ao Doclisboa

October 15, 2026
Nha Balila, lenda viva batuku oito décadas Doclisboa
Nha Balila | DR

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Poucas vozes do batuku são tão reconhecidas como a de Nha Balila. Nascida Isidora Semedo Correia, a 12 de dezembro de 1929, em Serra Malagueta, no interior da ilha de Santiago, a batucadeira é tratada em Cabo Verde e na diáspora como uma lenda viva do batuku, o género tradicional cabo-verdiano historicamente cantado e tocado por mulheres. É ela a protagonista de Nha Balila, Dentu d’Algem, documentário de Inês T. Alves e André Xina que integra a secção Heart Beat do Doclisboa, dedicada a filmes em que a música ocupa o centro.


O filme acompanha a cantora quando é convidada a vir a Portugal para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Aos 92 anos, a sua presença tem “um impacto profundo na diáspora cabo-verdiana”, e é esse encontro com a comunidade em Portugal que a câmara segue ao longo de 75 minutos, falados em crioulo de Santiago e em português. Inês T. Alves assina também a imagem e a montagem, André Xina o som, e a produção é da Oublaum Filmes, com apoio do ICA. O documentário teve antestreia a 22 de maio, no Centro Cultural Português da Praia, com a presença da protagonista e dos realizadores.


Em criança, Nha Balila acompanhava a mãe a tocar em casamentos, batizados e festas de Páscoa e Ano Novo, e foi com os pais que aprendeu o batuku e o finason. “Era uma jovem janota, coxa redonda, peito e costas bonitos, batucadeira, tocadeira de ferro e gaita”, recordou em 2025, numa entrevista à Inforpress. Na mesma conversa, explicou que o nome pelo qual todos a conhecem foi dado pelos pais e vem de “bali pena”, ou seja, vale a pena.



Still do filme "Nha Balila, Dentu d’Algem"


A vida levou-a para longe de Santiago antes de a fixar na capital. Invisual, trabalhou nas roças de São Tomé e Príncipe, passou por Angola e regressou a Cabo Verde, onde acabou por se instalar na Praia, no bairro de Tira-Chapéu. É lá que vive há décadas, rodeada de vizinhos e músicos que a visitam, e é lá que o seu retrato está pintado numa parede. Formou vários grupos de batuku e gravou três discos com os produtores Zé Sucupira e Kim Alves. “Não vejo com os olhos, mas contemplo e sinto com o coração a amabilidade das pessoas”, disse à agência cabo-verdiana.


A história dela cruza-se também com a do país. Em 2017, em entrevista à Lusa, recordou ter conhecido Amílcar Cabral em Angola e contou que um acidente, a 28 de junho de 1975, a deixou internada e a impediu de assistir à independência de Cabo Verde, proclamada uma semana depois.


Antes deste filme, a cantora já tinha levado o batuku aos Estados Unidos, aos Países Baixos e a Portugal. “O meu batuku anda o mundo inteiro”, afirmou à Inforpress, depois de regressar de uma digressão americana em que cantou em sete zonas diferentes.


Nha Balila, Dentu d’Algem é exibido a 18 de outubro, às 18h30, no Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira), e a 23 de outubro, às 19h30, no Cinema Ideal, em Lisboa, no âmbito da 24.ª edição do Doclisboa, que decorre de 15 a 25 de outubro. O programa completo e os bilhetes estão disponíveis neste link. 

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