Amílcar Cabral é imortalizado com um jardim no coração da cidade de Roma

September 10, 2026
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Amilcar Cabral | DR

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O nome de Amílcar Cabral passa a fazer parte do espaço público de Roma. A capital italiana inaugura, a 12 de setembro, um jardim dedicado ao líder da luta de libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, precisamente no dia em que se assinalam 102 anos do seu nascimento.


O Jardim Amílcar Cabral fica na Via Corinto, na zona de San Paolo, no Município VIII de Roma, em frente ao mercado coberto do bairro. A cerimónia está marcada para as 10h00 e deverá reunir representantes institucionais, associações e membros das comunidades cabo-verdiana, guineense e africana residentes em Itália. A realização da inauguração a 12 de setembro e a localização do espaço são também referidas pela Biblioteca Amílcar Cabral, de Bolonha.


A homenagem fecha um processo iniciado em outubro de 2023, quando Amedeo Ciaccheri, presidente do Município VIII de Roma, propôs que um espaço público da cidade recebesse o nome de Cabral. A iniciativa avançou posteriormente para a Assembleia Capitolina e, em março deste ano, a Comissão de Toponímia de Roma Capitale aprovou a atribuição de espaços públicos do Município VIII a quatro figuras associadas a lutas pela liberdade e pelos direitos: Amílcar Cabral, Gino Strada, Piero Bruno e Bobby Sands.


Ao longo do processo, foi formado um grupo de trabalho que reuniu, entre outros, a conselheira municipal Antonella Melito, Andrea Mulas, da Fundação Lelio e Lisli Basso, Maria de Lourdes Jesus, da associação Tabanka Onlus, e Mário Meo, em representação da fotógrafa italiana Bruna Polimeni. Segundo a informação enviada à BANTUMEN, uma petição de apoio à iniciativa reuniu cerca de 500 assinaturas de membros das comunidades cabo-verdiana e guineense e de cidadãos italianos.


A escolha de Roma não surge, no entanto, sem antecedentes na relação de Cabral com Itália. Em setembro de 2024, no ano do centenário do seu nascimento, o Campidoglio recebeu o encontro Amílcar Cabral: dialogo tra culture e solidarietà, promovido pela Fundação Lelio e Lisli Basso e pela associação Tabanka, com o apoio de Roma Capitale. A programação incluiu precisamente uma reflexão sobre a presença de Cabral em Itália e sobre as relações entre a sua trajetória política e os movimentos de solidariedade e anticolonialismo italianos.


É também em Itália que se encontra preservada uma parte importante do trabalho de Bruna Polimeni, fotógrafa que documentou Cabral, dirigentes e combatentes do PAIGC durante a luta de libertação. O fundo da fotógrafa, conservado pela Fundação Lelio e Lisli Basso, reúne imagens e documentação relacionadas com as independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Os arquivos da Casa Comum conservam, por exemplo, várias fotografias feitas por Polimeni em 1971, em Boké, nas quais Cabral surge junto de combatentes e responsáveis do PAIGC.


Nascido a 12 de setembro de 1924, em Bafatá, na atual Guiné-Bissau, Amílcar Cabral foi agrónomo, fundador e secretário-geral do PAIGC e uma das principais figuras do pensamento anticolonial africano do século XX. Foi assassinado em Conacri, a 20 de janeiro de 1973, meses antes da proclamação unilateral da independência da Guiné-Bissau.


Mais de cinco décadas depois da sua morte, a inauguração em Roma acrescenta o nome de Cabral ao mapa de uma capital europeia. Para a Fundação Amílcar Cabral, a decisão representa um reconhecimento da dimensão internacional do seu pensamento e do legado ligado à autodeterminação, à liberdade e à luta anticolonial.

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