Yara Mupei, líder em Capital Humano, que sempre foi a mais nova da sala e hoje é uma das mulheres mais influentes em Angola

July 29, 2026
Yara Mupei líder Capital Humano uma das mulheres mais influentes Angola
©BANTUMEN/ Nuno Silva

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À margem do Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026, que reúne líderes de vários países na Praia, a BANTUMEN conversou com Yara Mupei, diretora de capital humano que se tornou, recentemente, a primeira e única profissional angolana certificada em HR Agile Advanced, uma certificação internacional de nível avançado atribuída pela CertiProf e pela Be Agile. Yara concluiu o processo de avaliação em dezembro de 2025, com uma taxa de aproveitamento de 97,5%, válida até 2028, um resultado que reforça um percurso de mais de quinze anos dedicado à gestão de pessoas, à liderança e ao desenvolvimento do capital humano em Angola.


Antes de falarmos de carreira, Yara faz questão de explicar a origem do próprio nome. "É um nome de uma das tribos de Angola. Significa: se for mulher, dêem-lhe o que é dela, se for homem, dêem-lhe o que é dele", conta, entre risos


A história profissional de Yara começou muito cedo, num dos maiores centros de telecomunicações do país, a Ucall. Aos dezoito anos, entrou como assistente de contact center depois de um processo de seleção que reservava bolsas e oportunidades de primeiro emprego aos melhores alunos do ensino médio. "Quando fiz o assessment para essa empresa, tinha 17 anos, e a empresa esperou que eu fizesse 18. Aquela oportunidade mudou completamente a minha vida", recorda. Um ano depois, aos dezanove, já liderava uma equipa de mais de 40 pessoas, uma responsabilidade que, admite, a obrigou a crescer antes do tempo. "Tive de fazer muitas escolhas. Quando os outros estavam nas noitadas, eu não estava, estava a trabalhar. Tens de manter a postura, tens de dar o exemplo, tens de estudar mais. Não podia dar-me ao luxo de viver a minha idade", afirma, lembrando ainda um episódio em que foi repreendida por usar uma boina no escritório, um gesto que, quinze anos depois, continua a marcá-la.

Yara Mupei líder Capital Humano uma das mulheres mais influentes Angola

©BANTUMEN/ Nuno Silva

Yara reconhece que foi, muitas vezes, a mais nova e, em várias esferas, a única angolana presente. Uma condição que carrega tanto peso positivo como negativo, e que a fez pensar de forma diferente sobre representação e, sobretudo, mostrar que é possível, mesmo sem uma família politicamente influente ou uma formação inicial na Europa, como é o seu caso.


Foi dentro da mesma empresa, onde permaneceu quase 16 anos, que Yara migrou das operações para a área de gestão de pessoas, até sair como diretora de capital humano. Atualmente, exerce a mesma função na tecnológica TIS, onde se posiciona como estrategista ágil, aplicando aos recursos humanos uma metodologia que, segundo diz, torna a liderança mais humana e não o contrário. "Ao longo da minha carreira, sempre me perguntei: mas as coisas têm de ser assim? No método tradicional, tens o ciclo anual de avaliação. No ágil, não. De três em três meses, obrigatoriamente, o líder tem de se sentar com o colaborador e falar. O ágil obriga-te a olhar nos olhos e a dizer: este é o objetivo deste ano, passaram 90 dias e não estás a alcançá-lo, o que é que se passa e como é que vai ser nos próximos 30 dias", explica, acrescentando que essa mesma lógica permite ajustar objetivos em tempo real, em vez de esperar um ano inteiro para perceber que algo correu mal.


Esse percurso, aliado à recente certificação internacional, valeu a Yara o reconhecimento, em 2024, como líder feminina mais influente de Angola pela revista Telegrama, uma distinção que, em entrevista anterior à Forbes África Lusófona, confessou tê-la surpreendido. "Eu não tinha noção da grandiosidade do impacto que a minha liderança teve ao longo dos anos", afirmou na altura, acrescentando que o prémio trouxe consigo uma nova responsabilidade, a de continuar a inspirar e abrir caminho às jovens mulheres que estão a começar as suas carreiras.

“Gostaria de ser uma grande incentivadora e influenciadora para que as grandes empresas angolanas possam ser geridas por quadros angolanos”

Yara Mupei

Questionada sobre o que falta hoje às organizações, Yara não hesita: "Primeiro, entenderem quem são. Acho que as pessoas estão perdidas, temos lideranças de topo perdidas e liderados perdidos. Não existe vida pessoal e vida profissional, isso é uma cantiga. Se dormes mal ou estás num divórcio, isso tem repercussões no teu trabalho", diz, defendendo que a qualidade da entrega, seja de quem lidera ou de quem serve um café, deve ser levada a sério por todos, sem exceção.


Para o futuro, a ambição de Yara já não é pessoal. "Neste momento, gostaria de ser uma grande incentivadora e influenciadora para que as grandes empresas angolanas possam ser geridas por quadros angolanos", afirma, apontando o dedo aos decisores que continuam a entregar negócios estratégicos a estrangeiros em vez de apostar em talento nacional. É essa mesma convicção, a de que a liderança deve nascer de dentro e ser devolvida às comunidades que a formaram, que Yara Mupei levou ao palco do Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026, ao lado de outras vozes africanas que discutiram, na Praia, os novos modelos de liderança humanizada.

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