Uma equipa de raparigas estudantes da Nigéria conquistaram o primeiro lugar na categoria júnior da Technovation World Pitch Summit 2018, com uma aplicação que tem o objetivo de salvar milhares de vidas. O evento realizou-se em São José, na Califórnia, Estados Unidos da América.

A equipa é composta por cinco meninas da Regina Pacies Secondary School Onitsha, no Estado de Anambra: Promessa Nnalue, Jessica Osita, Nwabuka Ossai, Adaeze Onuigbo e Vivian Okoye.

O programa Technovation World Pitch Summit é dos maiores de empreendedorismo tecnológico do mundo para mulheres. O programa tem um cunho solidário e único, convida adolescentes entre os 10 e os 18 anos de todo o mundo para identificarem um problema dentro da sua comunidade para depois descobrirem uma solução.

O Team Save-a-Soul foi selecionado e destacou-se entre as duas mil aplicações movéis desenvolvidas para representar África no evento. A aplicação desenvolvida pela equipa é um Fake Drug Detector (Detector de drogas falsas), que aborda o problema de produtos farmacêuticos falsificados na Nigéria. Team Save-a-Soul ficou à frente dos rivais dos EUA, Espanha, Turquia, Uzbequistão e China.

O prémio foi festejado no Twitter pelo vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo.

A aplicação das meninas estudantes trata de uma questão muito importante na sociedade nigeriana em particular, e africana no geral, onde em cada 10 medicamentos um é falso e acaba por provocar mais de 20 mil mortes por ano.

Esse fato tem sido alvo de uma luta constante das organizações responsáveis, tal como a Agência Nacional de Controlo e Administração de Alimentos e Medicamentos (NAFDAC), de forma a eliminar a circulação de drogas falsas no país. Muitas das mortes por malária na Nigéria estão ligadas ao uso de medicamentos falsos.

A venda de medicamentos falsos em África rende vários milhões, e pelo menos 40% dos medicamentos falsificados registrados no mundo circulam pelo continente. Outros abordaram também este problema com a tecnologia, incluindo a mPedigree, uma empresa ganesa fundada em 2015, pela Quartz Africa Innovator, Bright Simons.

As estudantes planeiam fazer uma parceria com o NAFDAC para criar um banco de dados de produtos farmacêuticos certificados. Uma vez autorizado pela agência, uma empresa farmacêutica pode carregar os seus medicamentos na plataforma e ser admitida no banco de dados.

Posteriormente, qualquer pessoa através da câmera do seu smartphone, quer profissionais de saúde quer consumidores, podem fazer o scanner do código de barras de um medicamento e a aplicação dará informações sobre se é verdadeiro ou falso, bem como a data de validade. A aplicação permite que os usuários denunciem casos de medicamentos falsos diretamente ao NAFDAC.

As meninas estudantes foram orientadas por Uchenna Onwuaegbu-Ugwudo, vencedor de uma bolsa pelo programa Mandela Washington Fellowship 2017, que fundou um centro STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) focado na implementação de educação STEM em escolas para crianças e jovens dos três aos dezoito anos, especialmente meninas das comunidades rurais no leste da Nigéria.

Vê abaixo o video que explica como funciona a aplicação: