Os artigos mais lidos da semana 44/53

1 de Novembro de 2026
Os artigos mais lidos da semana 44/53
Lara Amado | DR

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A lista dos artigos mais lidos na BANTUMEN arranca com Lara Amado, a cabo-verdiana que transformou uma solução pensada para si própria numa luta contra os tabus da menstruação e pela licença menstrual. Segue-se Samora Miguel Cardoso Lopes, o investigador biomédico cabo-verdiano que criou uma marca para simplificar as rotinas de skincare.


Também entre os mais lidos estiveram os retratos que Amadeo Carvalho pintou com pigmentos vulcânicos das ilhas e levou à AKAA, em Paris; o artigo de opinião em que Sergi Pujales revisita os doze anos que levaram Maria de Lurdes Mutola ao ouro olímpico de Sydney; e, a fechar, a história de Muna Baldé, a atriz que pediu ajuda para fazer o primeiro filme.


Lara Amado, a mulher que está a desfazer os tabus da menstruação em Cabo Verde


Começou por fazer pensos reutilizáveis durante a quarentena de 2020, para responder a uma necessidade sua, e pouco depois era abordada na rua por mulheres que lhe contavam, em voz baixa, o que viviam durante o período. Nas formações que dá pelas ilhas, Lara Amado encontrou mulheres que compram um penso de cada vez e outras que recorrem ao cartão do rolo de papel higiénico ou a pedaços de colchão. Com a Nha Pumbinha, criou também um copo menstrual próprio, depois de perceber que o modelo que usava a magoava a ela e a outras mulheres. Segundo Lara, as distribuições feitas com parceiros como a Câmara Municipal da Praia, a Fundação Dretu e a Verdefam já chegaram a mais de 20 mil meninas e mulheres. Hoje quer ver a licença menstrual consagrada em lei.


Este cientista cabo-verdiano criou uma marca para simplificar o skincare


“Hoje em dia, fazer skincare é quase um part-time job.” Foi a partir desta ideia que Samora Miguel Cardoso Lopes, investigador biomédico com percurso na investigação clínica nos Estados Unidos, passou dois anos e meio a desenvolver os três produtos da Aqua Religion. Diz pôr a qualidade à frente do marketing e garante que não conseguiria dormir descansado se um produto seu levasse alguém ao hospital. O interesse pela ciência nasceu na Escola Grande, na Praia, com uma professora que morreu de cancro. Pelo meio, participa em intercâmbios com médicos em Cabo Verde e mantém o objetivo de se tornar cirurgião.


Pintados com pedra vulcânica, os retratos de Amadeo Carvalho chegaram a Paris


Terra do Fogo, de Santiago e de São Vicente, recolhida pelo próprio artista, misturada com carvão, acrílico e serigrafia. É assim que nascem os “Retratos de Ausência”, a série que Amadeo Carvalho apresentou entre 23 e 25 de outubro na AKAA, a feira de arte contemporânea dedicada a África e às suas diásporas, no primeiro projeto público da plataforma curatorial Casa Vicência. Nascido em São Vicente e a viver em Londres, o pintor levou 61 obras, mostradas em rotação num stand de 16 metros quadrados. À BANTUMEN, falou da memória, da ausência e do que os anos como DJ lhe ensinaram sobre o ritmo na pintura.


1'56"15: Quantas vezes é preciso perder para ganhar? A história de Maria de Lurdes Mutola e do ouro de Sydney


Antes de 25 de setembro de 2000, Maria de Lurdes Mutola já tinha jogado futebol com os rapazes nos campos de terra da Mafalala, sido descoberta pelo poeta José Craveirinha, corrido em Seul com 15 anos e aterrado em Eugene, nos Estados Unidos, sem falar inglês. Tinha também perdido o ouro em Atlanta, com gripe, depois de cinquenta finais seguidas sem derrotas. Neste artigo de opinião, Sergi Pujales reconstrói os doze anos que levaram a atleta moçambicana aos 1'56"15 de Sydney. A partir dessa corrida, reflete sobre o que é preciso para continuar depois de uma derrota.


O que leva uma atriz a pedir ajuda? A história de Muna Baldé


Em Portugal, o apoio público a uma primeira curta-metragem não é entregue a quem a realiza, mas a produtoras e escolas de cinema. Aos 27 anos, Muna Baldé procurou apoio no ICA e na Fundação Calouste Gulbenkian para “Sem ti”, a curta que vai realizar e protagonizar, inspirada numa relação que viveu aos 18 anos. Sem bolsas que se ajustassem ao projeto, abriu uma campanha de financiamento coletivo e tem feito quase todo o trabalho sozinha. Fala da vergonha que sentiu ao pedir ajuda, do regresso de Manchester com a sensação de ter falhado e da saúde mental dos jovens artistas.

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