Realizadora são-tomense Jéssica Lima vence Prémio Novos Autores PALOP

September 15, 2026
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Jéssica Lima | ©Mário Cumbana

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Jéssica Lima venceu o Prémio Novos Autores PALOP na 16.ª edição do Kugoma – Fórum de Cinema Moçambique, com o projeto "Nxka Ba Sulu". A realizadora são-tomense dedicou a vitória à mãe, que tinha chegado a Maputo apenas quatro horas antes da cerimónia para assistir ao momento.


"Esta vitória é da minha mãe. Ela sempre viu em mim algo que eu ainda não tinha visto. Conscientemente, viu a sua musa", afirmou Jéssica Lima, visivelmente emocionada, no palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano, durante a Gala de Premiação do Kugoma.


Nascida em Lisboa, filha de pais são-tomenses, Jéssica cresceu em São Tomé e Príncipe, onde começou a perceber que o seu interesse pelas artes a colocava num lugar diferente. É atriz, guionista e realizadora, formada em teatro e cinema pela East 15 Acting School, no Reino Unido. Atuou em peças de teatro e nas curtas-metragens "Our Town" e "Meninas Negras São Mulheres Também". Em dezembro de 2021, através da residência artística do São Tomé Film Lab, nasceu o projeto "Chama-me Maria", o seu primeiro documentário, que aborda a violência contra as mulheres em São Tomé e Príncipe e foi distinguido com o prémio de Melhor Curta-Metragem no São Tomé Fest Film. Em agosto deste ano, Jéssica integrou ainda a seleção da primeira edição do FilmLab Moçambique, laboratório intensivo de desenvolvimento de projetos cinematográficos realizado em Maputo, promovido pela REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL em colaboração com o Kugoma.


Na categoria PALOP, Jéssica Lima concorreu com Grace Ribeiro (Cabo Verde) e Denilson Nzala (Angola). O júri foi composto por Emília Wojciechowska (Cabo Verde), Gabi Ueno e António Maxlhaieie, diretor de produção do Kugoma.


A 16.ª edição do Kugoma distinguiu ainda outros jovens cineastas e profissionais do audiovisual. Assane Ramadane venceu o Prémio Novos Autores Moçambique com "A Última Travessia", curta-metragem sobre migração ilegal e tráfico de pessoas, que recebeu também os prémios de Melhor Tratamento de Som e Melhor Pitch. Gamito Fumane recebeu uma Menção Honrosa por "Chamas".


Nos Prémios Maxfilm Creative, que distinguem categorias técnicas como melhor realizador, melhor ator, melhor atriz, melhor fotografia e melhor diretor de caracterização, "Submergido" foi o grande destaque. Idelfonso Colaço venceu Melhor Diretor de Fotografia, Ariel Añez Melhor Realizador e Dino Cumbane Melhor Ator, todos pelo filme. Moya Langa venceu Melhor Atriz por "Chamas". O Prémio Destaque Afro-Brasil foi atribuído à curta-metragem brasileira "Um Oceano Inteiro", produzida por Carolina Porto e realizada por Carine Fiúza e Bruna Dias.


O Kugoma 2026 integrou pela primeira vez atividades do FilmLab Moçambique e decorreu no Centro Cultural Franco-Moçambicano, no Museu Mafalala, na Chapa 100 e na Netkanema. O FilmLab Moçambique, por seu lado, é promovido pela REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, iniciativa coordenada pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique, com parceiros em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe e apoio financeiro do Camões, I.P., através do Programa PROCERIS.

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